
Realmente aprendi duas coisas: A primeira é que não há nada de errado em sacrificar o orgulho em nome de uma pessoa que te faz sorrir. Porque cá pra nós, hoje em dia não é fácil encontrar alguém que lhe faça dar um sorriso sincero. A segunda é que em um relacionamento você tem que aceitar a outra pessoa por tudo que ela é, não só pelas partes fáceis de aceitar. É burrice virar as costas pra uma coisa tão importante como o amor. (s-uperar)

E ele permanecia ali, me encarando com aqueles lindos olhos, as sombrancelhas franzidas sem entender a frieza das palavras que eu havia acabado de dizer.
— Não existe mais nada entre a gente, eu não quero ficar com você mais.
— E a única coisa que eu tô te pedindo é o porquê.
— Como se mudasse a realidade dos fatos ou fizesse alguma diferença.
— Você faz diferença.
E começou a palhaçada novamente. Minha voz havia sumido e minhas pernas tremiam de uma forma que eu tampouco conseguia me manter em pé. Mas eu precisava de foco pra terminar o que eu havia começado. Eu estava quase desistindo e deixando as coisas voltarem a ser como eram em alguns minutos atrás. Foi quando todo o sofrimento pelo qual passei nos últimos tempos, passou pela minha cabeça como um filme. E o motivo estava bem ali, há alguns centímetros.
— Olha… Deixe-me em paz e fique longe de mim a partir de agora, por favor. A única coisa que eu preciso é que as coisas voltem a ser como eram antes de você aparecer. — digo, me afastando.
E eu estava incrédula, não acreditando no que eu havia acabado de dizer. Não acreditando que eu consegui ser forte o suficiente para afastar de mim, o que eu mais desejava perto. E ele não se mexia. Ficou exatamente onde estava, encarando-me daquele jeito calmo e irritante de sempre. Exatamente como quem não se importa. Auto-confiante o bastante pra achar que poderia me enganar com suas mentiras, mais uma vez. Foi quando, interrompendo meus pensamentos, ele colocou suas mãos em meu rosto e disse o que eu quis escutar durante muito tempo. O único motivo capaz de me fazer ficar e ele sabia.
— Eu te amo e realmente quero ficar com você. — franzi os lábios e o fiquei encarando, sem saber exatamente o que dizer.
— Nós podemos ser felizes, basta deixarmos as coisas do jeito que estavam.
Dei o sorriso mais irônico que consegui naquele momento, engolindo em seco numa tentativa falha de segurar o choro.
— Eu e você sabemos das mentiras que acabou de dizer. Você mente tão bem, que por um tempo parecia tão… Tão… Verdade. Admiro essa sua habilidade de mentir, por um tempo até acreditei. Mas não vou continuar acreditando no que me diz, só porque é o que eu gostaria de ouvir.
Ele tentou dizer alguma coisa, que me recusei a ouvir. Tampouco deixei que ele tocasse em mim novamente, por maior que seja o efeito calmante das suas mãos. E por mais que eu queira me livrar desse vazio e acreditar em tudo que eu havia acabado de ouvir, dou meia volta e fujo em disparada, desejando nunca mais ter de vê-lo. (s-uperar)

Michael corria além dos limites de velocidade da área.
O sol brilhava ao fim da estrada e o relógio marcava 14h05min. Em seu emaranhado de pensamentos ele não sabia o que acontecia a sua volta. Não sabia que na próxima curva, um caminhão estaria parado jogado ao chão, que ele tentaria frear e seu carro iria ser lançado no precipício. Que quebraria uma perna no primeiro impacto e cortaria metade do rosto no segundo, muito menos que no ultimo o vidro perfuraria seu coração e ele morreria como um ninguém, esquecido. Viu outra placa que o mandava reduzir a velocidade, ignorou. Os olhos estavam marejados. Seu corpo tremia e sua pele era puro gelo. Pensava nela, somente nela. Em como ela acordava mal humorada, nos dias que saíram para jantar e ela o fez pedir pizza pra comer dentro de outro restaurante. De seu vicio em álcool. Das noites em que a levou pra casa totalmente embriagada. Do sexo que só ela sabia fazer. Pensava em todos os momentos ao lado da mulher que amava. Corria pra não aceitar o fato de que ela, já não mais existia. A dor em seu peito era insuportável, desejava a morte a ser condenado a viver sem ela. As lágrimas tomavam seu rosto. Alicia. Era em tudo que ele pensava. Era tudo que ele precisava. Mas ela estava morta e sem ela esse mundo era só um imenso vazio. Michael sabia que se a situação fosse inversa ela não teria fugido, teria ficado, ido ao seu enterro e talvez até seguido em frente, entrado na faculdade e conhecido algum cara legal. Construído uma família. Pra ele, estas não eram uma opção, nunca pretendeu entrar em faculdade ou criar uma família que não fosse com ela. Alicia. Morta. Sem ter se quer escutado de seus lábios que ele a amava mais que tudo. Que ele sentia sua morte a todo décimo de segundo. Mais lágrimas, Michael entrou no túnel, o rádio chiava e seus dedos começavam a formigar, não sabia a quanto tempo estava dirigindo mas sabia que devia estar longe o suficiente da imagem de uma Alicia morta. Imaginou mentalmente que por um instante ela estivesse ali. Tudo ficou em silêncio, Michael suspirou e disse: “Eu te amo”. Abriu os olhos, o pânico o tomou, freou o carro. Seu carro foi em direção ao nada. Então ele fechou os olhos e repetiu. “Alicia, eu te amo.” O relógio marcava, 15h32min. Morreu.
Por que morrer é quase tão humano quanto amar. — Luiz Kaique, LK.

“Quero ter alguém pra me ligar às 2 da manhã. Alguém que coloque um sorriso no meu rosto com o mais simples gesto… Alguém que não faça exatamente o meu tipo, mas que o meu tipo passe a ser esse alguém simplesmente porque seria impossível não me apaixonar por ele. Acho que eu queria um pouco de reciprocidade. Talvez um pouquinho de cinemas às sextas pela noite e um pouquinho de praias aos sábados pela manhã também. Queria um desses romances de se dar inveja… Onde nunca se nega pipoca, edredom e sorvete. Um copo de coca-cola apoiado ao lado do colchão e dois pacotes de Ruffles sabor churrasco pousados no travesseiro. Queria abraços, queria beijos na nuca. Queria que a vida fosse que nem em filmes pelo menos uma vez; queria que existissem momentos tão bons que depois de um tempo eu até daria um suspiro só de lembrar. As lágrimas iriam nascer de leve nos olhos e eu diria “Ai, que saudade”. Olharia para o lado e sorriria; não pelo fato de ter a vida perfeita ou o emprego inimaginável. Acho que queria sorrir só de talvez estar com você num futuro. Próximo ou distante. Perto ou longe. Longo ou curto. Tanto faz. Contanto que fosse você. Você, eu e o nosso romance clichê.” (No❥Girl)